Campos temperados formados ao longo de milênios. 36% da vegetação nativa restante. Menos de 1% em áreas protegidas.
A pecuária extensiva, a soja, o graxaim-do-campo e o bioma com menos de 1% de proteção no Brasil.
4 atos · personagens reais · dados e história
O Pampa é um bioma de campos abertos, sem cobertura arbórea densa. Ocupa 176 mil km² no extremo sul do Brasil, predominantemente no Rio Grande do Sul. A vegetação é composta por gramíneas, arbustos e plantas herbáceas adaptadas ao clima temperado, geadas sazonais e solos profundos. Possui menos de 1% de sua área em unidades de conservação, o que o torna o bioma brasileiro com menor proteção formal.
Os campos se formaram ao longo de milênios sob a ação combinada de clima, fogo natural e pastejo por grandes herbívoros. A vegetação não depende de floresta para manter diversidade: em poucos hectares de campo nativo, registram-se centenas de espécies de gramíneas e plantas herbáceas. O bioma abriga mais de 3.000 espécies vegetais, muitas endêmicas, com adaptações específicas ao regime de distúrbios naturais e ao pastejo.
A fauna é adaptada à paisagem aberta. O veado-campeiro utiliza a extensão plana para detecção de predadores. O graxaim-do-campo caça em áreas de banhado e campos secos. O lobo-guará percorre grandes territórios que exigem continuidade de habitat. Aves migratórias, como maçaricos e batuíras, dependem dos campos gaúchos como escala entre o ártico e o sul da América do Sul. A perda de áreas contínuas compromete rotas migratórias e a sobrevivência de espécies de ampla distribuição.
O Pampa é o único bioma brasileiro cuja biodiversidade está associada a uma identidade cultural histórica: a cultura gaúcha. A pecuária extensiva em campo nativo existe há mais de 300 anos e moldou práticas de manejo, culinária, música e organização social. A conversão dos campos para agricultura mecanizada altera não apenas a ecologia, mas também as bases de sistemas produtivos tradicionais.
Restam 36% da vegetação nativa original. A conversão para lavouras de soja e plantios de eucalipto, intensificada a partir dos anos 1970, substitui campos que levaram milênios para se estabelecer. O arado rompe a estrutura do solo, libera carbono armazenado e elimina o banco de sementes da vegetação nativa. A recuperação espontânea, mesmo após décadas de abandono, não reproduz a composição original de espécies.
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